Vamos fazer rodeio de babaca

October 27th, 2010

-Sobre esse acontecimento aqui

É assim: a gente pega um babaca e várias gordas pisam nele, no chão, até a respiração dele ser cortada e ele desmaiar. Aí cortam-se as bolas que serão fritas na manteiga com ervas finas e servidas com batatas sauté. Quando eles acordarem comem a iguaria.

MEU DEUS QUE VIOLÊNCIA.

É, quando alguém maltrata um cara é terrível, maltratar mulher é um direito dos cidadãos né, nossos pais pagam escola, cursinho, a gente estuda muito, rala mesmo, entra numa super universidade e isso é o mínimo que esperamos, ter direito ao lazer e liberdade de expressar nossa própria escrotidão.

Parabéns UNESP, você já tem gente no nível Uniban. Eu agradeço do fundo do meu coração, agora não vai rolar dizer que ser escroto é coisa de aluno de escola pública que não tem capacidade para entrar numa Universidade pública e tem que ir para uma particular que não tem absolutamente nenhum critério para a matrícula de seus alunos além da situação do CPF do camarada. Ser babaca agora não é mais considerado pelos outros babacas ricos uma coisa só de pobre ou de quem não passa em vestibular.

Ok, passado agradecimentos vamos aos fatos:

Os babacas decidiram que seria engraçado humilhar as gordas do evento comparando-as com touros raivosos e agarrando como objetos/animais como parte de uma competição. Quem segura mais tempo outro ser humano humilhando atravessando-o os limites de contato corporal sem absolutamente nenhum consentimento da outra parte ganha (o troféu de escória do ano). Afinal a outra parte não só é mulher como não presta pro sexo, afinal é gorda (aposto minha alma que parte deles come gorda gostoso e lambe os beiço).

Ah mas é só brin… NÃO

Em primeiro lugar, NÃO EXISTE brincadeira se não houver consentimento de todos os envolvidos, em segundo foi violência de gênero (não agarravam gordos, nem tenta argumentar) e em terceiro lugar foi humilhação mais que desnecessária de gente que já é razoavelmente escrotizada pela sociedade por não se encaixar em um MODELO de beleza INVENTADO bem recentemente na nossa história.

Violência, violência, violência.

A coisa tem lados que se complementam só pra coisa ficar mais nojenta. Uma coisa é agarrarem mulheres sem consentimento numa demonstração clara de que mesmo que não assumam esses meliantes REALMENTE ACREDITAM que as mulheres são SUA PROPRIEDADE, o que comprova que eles ainda não viveram o último século. A outra parte é fazerem isso com quem não se encaixa no padrão de beleza não só pela gordura já que os gordos ficaram de boa, mas com quem não se encaixa (teoricamente) no perfil daquelas que eles (hetero) comem, o que quer dizer que não só as mulheres são objetos como também devem ser humilhadas caso não sirvam para o prazer deles, ou melhor dizendo, como troféu comi essa gostosa deles.

E não é só isso!

Não é só Uniban ou Unesp, na USP os alunos fizeram o favor de fazer uma dobradinha de eventos de ódio esse ano: primeiro o jornal da turma de Farmácia sugerindo aos leitores jogarem merda nos gays  e agora três babacas e uma porção de testemunhas coniventes se envolvendo em VIOLÊNCIA FÍSICA contra um casal gay em uma festa de alunos. Numa mansão. Numa porra duma mansão.

Dá uma vontade doida, nessas horas, de encher a boca para falar mal e culpar as instituições, mas não são elas as culpadas por seus matriculados de miolos podres. O que se pode fazer é cobrar atitude sempre que uma merda acontece (com punições razoáveis inclusas, tipo expulsão do curso) e alguma prevenção.  É só o que uma istituição pode fazer quando meliantes que estão espalhados por TODAS as classes sociais caem de paraquedas em seus campi. Seres humanos que independente de que título carregam acham muito bonito ferir outros seres humanos para o seu prazer.

Que tipo de alunos somos? Que tipo de pessoas somos? Que escolas/colégios/universidades e mundo estamos construindo?

Fica aí a pergunta.

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