Cada pessoa é única (e isso é uma delícia)
Pode parece piegas e clichê, mas é real num nível que nem todo mundo está disposto a assumir. E como quase toda coisa piegas e clichê, pouca gente para pra pensar no significado.
Desculpa se pareço romântica mas juro que tô segurando a onda, isso vai ter um objetivo prático (não que isso dê grande valor, mas). Conhecer pessoas, no sentido literal, bíblico, superfícial, qualquer um, é uma oportunidade de conhecer um mundo novo. Esse cara que você conheceu esses dias aí, numa festa, pode ser tão branco esquerdista indie, 1,80m, filho de italianos e estudante de ciências sociais quanto outro cara, de uma outra festa, mês passado que também tem todas essas características, mas é OUTRO MUNDO.
Sérião, caras, saca só: o fato de mais de uma pessoa gostar de 100 discos iguais, não quer dizer que todas sintam a mesma coisa ouvindo cada música, um pode ter ouvido uma quando acabou um namoro e outro numa viagem de ano novo na qual conheceu alguém especial. O primeiro vai ficar triste e o segundo feliz quando ouvirem a mesmíssima canção. Informações sobre as pessoas são só dados e não somos feitos de dados, somos feitos de experiências quase impossíveis de qualificar e mensurar. Dei esse exemplo mínimo porque é fácil de entender e porque vai (eu espero) acabar com as chances de nego vir dizer que vivemos uma massificação cultural que faz todo mundo ser igual. Faz nada, só parece, mermão.
Pra não dizer que não falei de sexo… ficar/namorar/trepar com pessoas também não é igual só porque aparentemente todos tem intenções parecidas, repertórios quase iguais de palavras para cantar ou demonstrar sentimentos, de movimentos, ordem e posições etc… é igual porque você nem ao menos olha pra pessoa e já acha que é. Eu sei que tem muita gente sem graça no mundo que não faz o mínimo esforço para mostrar quem é de verdade, aceitando máscaras fáceis de comportamento e personalidade; mas mesmo essas no final das contas são únicas e isso é genial. Pelo menos é o que faz minha vida valer a pena, sentir essas criaturas únicas e saber que tive o privilégio de conhecê-las.
A parte prática desse texto tem duas partes. A primeira é expressar meu desejo pessoal de que os leitores que ainda não se tocaram disso parem para pensar e passem a aproveitar melhor suas vidas, experimentanto mel de cada florzinha, que nem uma abelha :v (não to dizendo pra trepar com elas, note). É bom e é bom que saibam que vocês também são únicos e que quem apreciar seu todo só vai apreciar esse todo em você, nos outros vai ver só cópias de pedaços (fazendo outros inteiros interessantes, quem sabe). A segunda parte é, como sempre, mandar um monte de gente ir plantar fava (estou gentil hoje) e parar de mirinzagem nos julgamentos e se precipitar menos ao ver e ao expressar as coisas.
Como eu disse no twitter esses dias, “que tal todo mundo parar de transformar o próprio viés em fato e simplesmente assumir que tem uma experiência que leva a uma opinião???” e “’TODO X é Y’. a menos q essa conclusão seja resultado de ciência criteriosa, significa “todo x que conheci entendi subjetivamente que é y’” O primeiro é a proposta e o segundo é a explicação técnica de gente que ama lógica, mas é tudo a mesma coisa no fim das contas.
Explico: ao ter duas ou mais experiências que compartilhem um mesmo adjetivo, ainda que não seja o único nem o principal, apenas uma simplificação preguiçosa, a pessoa pega alguma característica em comum das pessoas das experiências e afirma que a característica leva necessariamente a experiências que levam o tal adjetivo. EXEMPLO: conheço times de basquete e eventualmente dou pra alguns jogadores, 3, digamos. Todos os três me chupam e nenhum me faz gozar dessa forma por diversos motivos e eu estando puta simplesmente entendo que são todos incapazes. Aí eu digo pras amigas todas que jogador de basquete tem o defeito de não saber chupar direito uma boceta e… GENTE que absurdo é esse? O exemplo é babaca justamente pra quem não se tocou disso ainda poder se tocar. É babaca sempre. SEMPRE. Ainda que a característica em comum seja menos aleatória e aparentemente relacionada com a experiência, como por exemplo “todos os caras divorciados com mais de 40 anos são egocêntricos e tem medo de se relacionar”. O fato de que a afimação é um amontoado de conclusões precipitadas com amostragem ridícula permanece. Btw, a entidadade *todos(as) meus amigos(as)* ainda é amostragem ridícula.
Juntando os pedaços do texto temos que pessoas que simplificam todo mundo e fazem irresponsavelmente afirmações falaciosas tristes, que por sua vez se espalham mais que fogo em mato seco, preparam outras pessoas para simplificarem e fecharem os olhos pras diferenças tão reais que cada indivíduo tem. Aí geral vê essas diferenças considerando-as detalhes sem importância ou mesmo fingimento e consequentemente perde as chances de ver todas as cores lindas que o mundo tem e ter uma vida mais interessante e gostosa. Parem com isso >< por favor.
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